Dos negros pássaros que voam pelas sombras da minha tão breve morte, de cegonhas que levam vidas, meu barco perde uma vela, perde vento e força.
Estes mesmos pássaros que trazem e deixam sujeira, nesta terrena tristeza que ronda minha sombra, faz-me enxergar que a luz que falta, é a luz dos teus olhos; olhos estes que eu não conheci.
Olhos negros como os pássaros, sombrios, mas como pássaros em gaiolas que não podem aprender a voar. Asas mutiladas que preferem a sombra da morte, que o desencanto de nunca saber a essência de tal liberdade.
As ondas batem na proa do barco que não veleja, apenas caminha por entre as aguas, que flutua, que segue, que espera a tempestade finduosa, que dará paz aos pássaros que o seguem.
Morre mais um flor.
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