domingo, 23 de dezembro de 2012

Qualquer.

Era um filme, com outro qualquer, com uma companhia qualquer. Mas era uma história não tão qualquer como qualquer uma. Continha o melhor invento. O apagador de lembranças. Poderiam ser apagadas todas as lembranças de alguem. Apagar alguem de dentro da gente. Magnífico. Lembrei de algumas pessoas pelas quais gostaria de experimentar esquecer. E com aquela companhia qualquer, parecia qualquer o vazio. Exitei  por um momento, tentar esquecer o que me deixa desalento. Queria por um momento estar ao lado do desalento, mas foi tão vaga a lembrança que de alguma forma o mesmo desejo é sempre uma repulsa. Passou-se outros meus episódios, outros casos, outros desamores, não tão sombrios quanto aquele, mas doloridos, cicatrizados e marcados. E de repente aquela companhia qualquer poderia ter virado um ombro, pois era aquele ombro que estava ao meu lado. E como J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na historia de Carlos Drummond, surgiu você e uma incansável vontade, de que aquela companhia qualquer, para aquele filme qualquer, fosse você. Querido ainda estranho. Poderia estar ali muitos outros desejos, muitos outros que queiram estar. Mas insistiu a vontade de ser você aquela companhia qualquer, pra deixar de ser qualquer a companhia.
Beijo querido desconhecido.

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